O Instituto Português do Mar e da Atmosfera informou a 26 de Agosto pelas 05:11 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 5.3 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 60 km a Oeste de Sines.
Este sismo não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima IV/V (escala de Mercalli modificada) na região de Sines, tendo sido sentido com menor intensidade na região de Setúbal e Lisboa .
A localização do epicentro de um sismo é um processo físico e matemático complexo que depende do conjunto de dados, dos algoritmos e dos modelos de propagação das ondas sísmicas. Agências diferentes podem produzir resultados ligeiramente diferentes. Do mesmo modo, as determinações preliminares são habitualmente corrigidas posteriormente, pela integração de mais informação.
O território de Portugal Continental insere-se, no contexto da tectónica de placas, na denominada placa Euro-Asiática. A Sul, o seu limite faz-se pela falha de Açores-Gibraltar, descontinuidade tectónica que delimita as placas euro-asiática e africana. A Oeste, o seu limite faz-se pela denominada falha da dorsal média do Oceano Atlântico.
Em Portugal Continental têm afectado as regiões do centro e sul do país, embora pouco frequentes, diz a ANEPC. Por outro lado, na Região Autónoma dos Açores os sismos têm ocorrido as ilhas do grupo central e oriental.
Com efeito, “o risco sísmico no Continente é significativo e que é aumentado na medida em que a densidade de população e actividades económicas o localiza-se no litoral, precisamente nas áreas com maiores intensidades sísmicas observadas ao longo do tempo”.
Os grandes sismos históricos que afectaram o território português tiveram os seus epicentros localizados no acidente tectónico de Açores-Gibraltar (sismos inter-placas). Desses, destaca-se o de 1 de Novembro de 1755, que atingiu uma magnitude aproximada de 8,75 graus na Escala de Richter. Este sismo deu origem a um tsunami com cerca de 15 metros de altura, além de fenómenos de liquefacção do solo e deslizamentos de terras, tendo provocado grande número de mortos e destruição de edifícios na cidade de Lisboa.
Os fenómenos de sismicidade intraplaca são normalmente mais difusos, destacando-se, por exemplo, o sismo de 23 Abril de 1909, com epicentro em Benavente, região situada no Vale Inferior do Tejo. Este sismo atingiu a magnitude de 6,7 graus na Escala de Richter. Além da região do Vale Inferior do Tejo, existem outras zonas com registo histórico de sismicidade importante, como sejam: Loulé, Setúbal, a zona da Batalha – Alcobaça e Moncorvo.
A acção sísmica pode provocar o colapso de edifícios, de viadutos, a rotura de barragens, o corte no fornecimento de serviços de abastecimento de gás, electricidade e comunicações. Além disso, pode induzir de deslizamentos, fogos urbanos e ondas oceânicas de grande capacidade destrutiva (tsunamis). Devido ao colapso das estruturas edificadas as vias de comunicação podem ficar interrompidas enquanto não se proceder à remoção dos escombros, situação que pode comprometer a eficiência e eficácia das acções de socorro.
Avaliação Nacional de Riscos
Um cenário idêntico ao de 1755, provocaria 50.000 desalojados no Algarve, Península de Setúbal e Grande Lisboa. Além disso, iriam contabilizar-se 5000 mortos, 2000 feridos graves e 10000 feridos ligeiros, assim como um número indeterminado de desaparecidos. Teríamos registo de uma destruição total ou parcial de habitações e inoperacionalidade de alguns hospitais, centros de saúde e quarteis de bombeiros. Além disso, seriam muitos os impactos ao nível dos centros de distribuição de alimentos – grandes superfícies, transportes, saneamento, gás e telecomunicações. In Avaliação Nacional de Riscos
A Avaliação Nacional de Risco da ANEPC, cuja segunda edição foi divulgada o ano passado, descreve, para cada risco, o processo de análise e os cenários utilizados, estando a metodologia de avaliação centrada na aferição da suscestibilidade, incluindo estimativa do grau de gravidade dos danos potenciais e da probabilidade de ocorrência do risco, tendo em consideração, para os riscos aplicáveis, o impacto das alterações climáticas e os cenários daí decorrentes, com indicação das tendências para agravamento ou atenuação dos riscos. Esta análise considera um cenário de um terramoto semelhante ao de 1755 e traça potenciais situações que existiriam.
Para um evento semelhante ao grande sismo de 1755, isto é, ocorrência de um sismo interplaca com epicentro localizado sobre a Falha de Gorringe, cerca de 150 km a Oés-Sudoeste do Cabo de São Vicente e magnitude de 8,7 na Escala de Richter.
Cenário: O abalo principal seria sentido na generalidade de Portugal Continental, mas os seus efeitos teriam maior intensidade nas sub-regiões do Algarve, da Península de Setúbal, da Grande Lisboa, do Oeste, da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo, do Alentejo Central, do Alentejo Litoral e da Região de Leiria. Seriam também sentidas algumas réplicas nas referidas sub regiões, onde para além dos efeitos directos do abalo, também se verificaria a ocorrência de deslizamentos de terras e de uma grande quantidade de incêndios resultantes de fugas de gás. Ao longo da faixa litoral das sub-regiões do Algarve (sobretudo na zona do barlavento), do Alentejo Litoral, da Península de Setúbal e da Grande Lisboa também ocorreriam quedas de arribas e algumas situações de liquefacção dos solos.
Deste sismo, a nível nacional, resultariam cerca de 5000 mortos, 2000 feridos graves, 10000 feridos ligeiros e um número indeterminado de desaparecidos entre os escombros. O maior número de mortos ocorreria nas sub-regiões do Algarve, da Península de Setúbal e da Grande Lisboa. É também nestas três sub-regiões que se registaria um maior número de desalojados (cerca de 50.000).
Para além da destruição total ou parcial de vários edifícios habitacionais, também se registaria a inoperacionalidade total ou parcial de alguns hospitais, centros de saúde, quartéis de bombeiros e outras infraestruturas estratégicas para responder à emergência. Da mesma forma, também se verificariam danos acentuados na rede rodoviária e ferroviária e nas redes eléctrica, de abastecimento de água, de saneamento, de gás e de telecomunicações, bem como em algumas das principais unidades comerciais de distribuição de alimentos (grandes armazéns, hipermercados e supermercados).
Tendo por base a recorrência de um sismo com magnitude semelhante, a probabilidade da sua ocorrência é baixa e corresponde a um período de retorno de 200 anos – já passaram 269 anos desde esta ocorrência. Este é um cenário com um grau de gravidade crítico devido essencialmente ao número de mortos, feridos, desaparecidos e desalojados, existindo ainda uma elevada perda financeira. Segundo a matriz de risco, da combinação dos graus de probabilidade e gravidade do cenário, resulta num grau de risco elevado.
Associado a uma situação semelhante ao terramoto de 1755 teríamos um tsunami. Foi considerado pela ANEPC um cenário a ocorrer em Agosto, durante a manhã. Depois do sismo, semelhante ao de 1755, teriamos uma forte probabilidade de ocorrência de um tsunami, sendo que grande parte das pessoas estaria nas praias e zonas junto ao mar. Estas iriam deslocar-se rapidamente para zonas mais seguras, reduzindo o número de mortos de forma significativa. Cerca de 15 a 20 minutos após o abalo principal, o tsunami atingiria o litoral.
As linhas costeiras do barlavento algarvio seriam as primeiras a ser atingidas pelo tsunami que avançaria progressivamente na restante costa Sul e na restante costa Ocidental, atingindo a Península de Setúbal em cerca de 30 a 35 minutos e pouco depois a linha costeira nas proximidades de Lisboa. Cerca de 1 hora e meia depois do principal abalo o tsunami chegaria à costa do Norte do país, mas já com uma altura relativamente baixa.
Os efeitos destrutivos do tsunami iriam para além da linha costeira, invadindo vários estuários/cursos de água ao longo da costa Sul e da costa Ocidental, bem como zonas de ria e de laguna.
Tendo em conta a quantidade potencial de pessoas em zonas inundáveis pelo tsunami (só no Algarve estima-se um valor de 46 889 – de acordo com o PEERST-Alg (ANPC, 2014)), considera-se que em resultado do tsunami e não contabilizando os efeitos do sismo, ocorrem 5000 mortos, 1000 feridos graves, 1000 feridos ligeiros e cerca de 2000 desaparecidos. Refira-se que algumas destas vítimas seriam resultado do pânico gerado na fuga das zonas costeiras. O número de edifícios/infraestruturas destruídos seria de vários milhares. Muitos dos edifícios/infraestruturas debilitados devido ao sismo
colapsariam em consequência da força das águas do tsunami. Várias viaturas e equipamentos seriam arrastados e destruídos. Um grande número de embarcações seria destruída ou severamente danificada.









