Num sector das bebidas cada vez mais competitivo, regulado e dependente de cadeias logísticas complexas, a capacidade de adaptação, a visão estratégica e a aposta na segurança tornaram-se factores decisivos para a sustentabilidade dos negócios. Nesta entrevista à Security Magazine, Filipa Garcia, CEO da Garcias, partilha a sua visão sobre a evolução da empresa num contexto exigente, marcado pela transformação digital, pela crescente atenção à cibersegurança e necessidade de garantir resiliência operacional. Ao longo da entrevista, aborda o impacto da natureza familiar da organização na tomada de decisão, as prioridades estratégicas dos últimos anos e o papel central da segurança – física e digital – na continuidade e no crescimento da Garcias.
A Garcias, uma das principais empresas na comercialização e distribuição de vinhos e bebidas espirituosas em Portugal, nasceu em 1981, conta com mais de 15.000 clientes, mais de 400 fornecedores, sete lojas, quatro armazéns e uma facturação superior a 100 milhões de euros anuais.
Security Magazine – Como caracteriza a actividade da Garcias no actual contexto do sector das bebidas?
Filipa Garcia – A Garcias actua num sector exigente e altamente competitivo, marcado por consumidores mais informados, cadeias de abastecimento complexas e uma crescente valorização da qualidade, da sustentabilidade e da confiança nas marcas. Neste contexto, a nossa actividade assenta numa combinação entre tradição, conhecimento profundo do mercado e uma forte capacidade de adaptação à conjuntura actual. Trabalhamos diariamente para garantir excelência operacional, proximidade com clientes e parceiros e uma gestão responsável, num sector que exige rigor, consistência e visão de longo prazo.
Quais são hoje as principais áreas de negócio da empresa e que peso têm no volume de actividade?
A Garcias tem como core business a distribuição de bebidas, com um portefólio diversificado que integra vinhos e espirituosas. Operamos em vários canais – horeca, retalho especializado, grande distribuição e canais próprios – o que nos permite equilibrar risco, reforçar presença nacional e responder a diferentes perfis de consumo. A logística e o serviço ao cliente são áreas críticas, que suportam toda a actividade comercial e representam um peso significativo no nosso volume de operações.
De que forma a natureza familiar da Garcias influencia a estratégia e a tomada de decisão?
Sendo uma empresa familiar, a Garcias pensa e decide com uma perspectiva de longo prazo. A estabilidade, a confiança e o compromisso com pessoas e parceiros são valores estruturais que influenciam directamente a nossa estratégia. Isso traduz-se numa tomada de decisão mais rápida e orientada para a sustentabilidade do negócio.
Que prioridades estratégicas definiram a actuação da empresa nos últimos anos?
Nos últimos anos, a Garcias focou-se no reforço da eficiência operacional, na modernização dos processos internos, na valorização das equipas e na consolidação de parcerias estratégicas. Paralelamente, investimos na digitalização, na melhoria da experiência do cliente e no fortalecimento da nossa capacidade logística, sempre com uma atenção crescente às áreas de risco informático, segurança e resiliência.
Qual tem sido o papel da inovação no desenvolvimento de produtos e processos?
A inovação tem sido um pilar transversal. No que toca à forma como organizamos processos, utilizamos tecnologia, gerimos dados e tomamos decisões. Apostamos na melhoria contínua, na automação sempre que faz sentido e na adopção de ferramentas que aumentem a eficiência, a segurança e a qualidade da informação.
Que importância assume a segurança – física e digital – na gestão da Garcias?
A segurança é um tema absolutamente central na gestão da Garcias. Quer falemos de segurança física – pessoas, instalações, frota e mercadorias – quer de segurança digital – sistemas, dados e informação – encaramos esta dimensão como um factor crítico de continuidade e confiança. Num negócio com elevada complexidade logística e forte dependência tecnológica, a segurança deixou de ser apenas uma função de suporte para se tornar uma responsabilidade estratégica.

Quais são hoje os principais riscos – físicos e digitais – identificados na operação?
Do ponto de vista físico, destacam-se os riscos associados à operação logística, transporte, armazenamento e circulação de pessoas e bens. Em termos digitais, os principais riscos prendem-se com a cibersegurança, a integridade da informação, a disponibilidade dos sistemas e a protecção de dados. Ambos exigem monitorização permanente, prevenção activa e capacidade de resposta rápida.
Que planos tem a Garcias relativamente à continuidade de negócio e resposta a incidentes?
A resiliência é hoje uma prioridade clara. A Garcias tem vindo a estruturar planos de continuidade de negócio e de resposta a incidentes, tanto físicos como cibernéticos. Situações como apagões ou falhas generalizadas funcionam como momentos de aprendizagem, permitindo alinhar equipas, rever processos e reforçar redundâncias. O objectivo é garantir que a empresa consegue manter operações críticas e responder de forma coordenada em cenários adversos.
De que forma a empresa aborda a cibersegurança e a protecção da informação?
A cibersegurança é tratada como um tema estratégico e não apenas tecnológico. Trabalhamos na prevenção, na monitorização e na resposta, mas também na sensibilização interna.
Que medidas estão implementadas para garantir a segurança física dos colaboradores e das instalações?
Existem procedimentos claros ao nível das operações logísticas, controlo de acessos, vigilância, manutenção das instalações e segurança da frota. Paralelamente, investimos na formação e na criação de uma cultura de segurança, onde a prevenção e o cumprimento de regras são encarados como parte integrante do dia-a-dia operacional.
Que papel têm os colaboradores na estratégia de segurança da empresa?
Os colaboradores são um elemento essencial da estratégia de segurança. A tecnologia e os sistemas são fundamentais, mas sem pessoas conscientes, informadas e envolvidas, não existe verdadeira segurança. Promovemos uma cultura de responsabilidade partilhada, onde cada colaborador compreende o seu papel na prevenção de riscos e na resposta a incidentes.
Que investimentos estão previstos para reforçar a segurança nos próximos anos?
Estão previstos investimentos contínuos em tecnologia, infra-estruturas, sistemas de monitorização e cibersegurança, bem como na formação das equipas. A segurança não é encarada como um custo pontual, mas como um investimento permanente na sustentabilidade e credibilidade da empresa.
Que perspectivas tem para a evolução da Garcias nos próximos anos?
A Garcias continuará a evoluir de forma sustentada, reforçando a sua liderança no mercado, investindo em pessoas, inovação e segurança. O futuro passa por crescer com responsabilidade, mantendo a solidez que nos caracteriza, preparados para um contexto cada vez mais exigente e imprevisível, mas cheio de oportunidades para quem está bem estruturado e alinhado.









