Entre Outubro e Dezembro de 2025, a Kaspersky detectou quase seis milhões de incidentes de cibersegurança em computadores de utilizadores em Portugal, incluindo ameaças online e ataques locais, de acordo com o mais recente relatório do Kaspersky Security Bulletin. Os dados mostram que a navegação na Internet e a utilização de dispositivos externos continuam a representar alguns dos principais riscos digitais no país.
Portugal mantém-se exposto a um volume elevado de ciberameaças. No quarto trimestre de 2025 foram identificadas 2.395.473 ameaças provenientes da Internet e 3.374.100 incidentes de origem local em equipamentos de utilizadores portugueses, num período de apenas três meses.
Segundo o relatório, 17,2% dos utilizadores em Portugal foram alvo de ataques online, colocando o País na 47.ª posição do ranking mundial relativo a ameaças associadas à navegação na Internet. No caso das ameaças locais, que incluem infecções através de pens USB, discos externos e outros dispositivos removíveis, 17,5% dos utilizadores foram afectados, posicionando Portugal no 91.º lugar a nível global.
A navegação na Internet continua a ser uma das principais portas de entrada para ataques digitais. De acordo com a Kaspersky, muitos dos incidentes registados exploram vulnerabilidades nos navegadores e nos respectivos plugins, recorrendo a técnicas conhecidas como drive-by downloads, nas quais o simples acesso a um website comprometido pode resultar numa infecção, sem que o utilizador se aperceba do ataque.
É igualmente apontado como preocupante o aumento da utilização de malware sem ficheiros, conhecido como fileless malware. Este tipo de ameaça permite aos cibercriminosos operar directamente na memória do sistema, deixando poucos vestígios e dificultando a detecção através dos métodos tradicionais.
Em paralelo, a engenharia social continua a assumir um papel central nos ataques registados em Portugal. Nestes esquemas, os utilizadores são induzidos a descarregar ficheiros ou aplicações aparentemente legítimos, que escondem código malicioso, explorando a confiança e o erro humano.
O estudo destaca ainda a importância de soluções de segurança capazes de detectar comportamentos suspeitos em tempo real, recorrendo a tecnologias como a análise comportamental e a inteligência artificial, de forma a responder a ameaças cada vez mais rápidas e sofisticadas.








