A Amarsul, responsável pelo tratamento de resíduos sólidos urbanos na Península de Setúbal, recebe quinta-feira o prémio da Agência Europeia de Segurança no Trabalho, o qual atesta o seu compromisso e os investimentos realizados na melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho. A Security Magazine falou com o Sérgio Bastos, Administrador Executivo, e João Alexandre, Head of Sustainability & SHEQ Manager da empresa, em Bilbau, à margem do evento.
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Este reconhecimento surge num contexto operacional de alta complexidade e intensidade, conforme detalhado pelos dois intervenientes principais, cujas perspectivas – estratégica e operacional – se complementam na busca pelo objetivo de “zero acidentes”.
Sérgio Bastos ao comentar o significado do galardão, salientou que o prémio “significa o reconhecimento do trabalho e do esforço que é feito por todos na Amarsul para criarmos condições de trabalho mais seguras”. Esta linha de pensamento, que reflete a visão da cúpula da empresa, defende que ter “condições de trabalho dignas deve ser também uma das linhas de orientação de quem está na função de gestão das empresas”.
O responsável descreveu o ambiente operacional, sublinhando os desafios inerentes à actividade: a Amarsul trata cerca de 400.000 toneladas de resíduos por ano, opera em “quase todas as unidades a três turnos” e gere uma frota de 60 viaturas para a recolha de ecopontos. Este contexto envolve “muitas unidades fabris a com muitos tapetes, com muitos equipamentos, com muita maquinaria, tudo a rodar”.
Apesar do desenvolvimento de ferramentas e tecnologias, como o relógio que deu origem ao prémio, é reconhecido que o nível de acidente de trabalho ainda é elevado e que “temos muito trabalho a fazer”. Olhando para o futuro, o modelo regulatório obriga a empresa a ” a pensar sempre a a médio longo prazo”.
A grande aposta estratégica reside na digitalização, vista como essencial para dar um “salto” e “facilitar a forma como as situações são reportadas, identificadas, como podem ser corrigidas”, abandonando procedimentos “muito manuais” e “muito complexos”. O objectivo final, estabelecido pela gestão, é ambicioso: “O objetivo é os zero acidentes”, aliado a uma “taxa de de separação de resíduos e de tratamento de valoração de resíduos altíssima”.
A Distinção do Terreno: O Factor Humano e a Resistência à Mudança
No que concerne à implementação prática das políticas de segurança, a distinção é feita por João Alexandre. Trabalhando “no terreno” e convivendo directamente com os cerca de 440 trabalhadores, o responsável foca-se na importância do factor humano.
O responsável admitiu que a “resistência à mudança é sempre inerente, principalmente das equipas mais experientes há mais anos de casa”. No entanto, a estratégia para superar esta resistência passa por ouvir activamente os colaboradores: “O ouvir os trabalhadores, as as sugestões deles têm sido o ponto principal de maior parte dos investimentos feitos e das melhorias”.
Esta abordagem operacional é crucial, visto que os trabalhadores reconhecem que uma paragem por baixa médica ou acidente tem um impacto negativo no trabalho dos colegas (…)”.
A maior motivação para a segurança, partilhada por João Alexandre é pessoal e centrada na família dos colaboradores: “queremos que eles saiam ao final do dia tão bem quando entraram porque têm as suas famílias e as suas vidas cá fora”.
A Amarsul, que faz parte do grupo empresarial EGF e Motengil, beneficia da possibilidade de “partilhar as boas práticas” e do “intercâmbio das empresas”, algo que é visto como vital para quebrar a mentalidade do ‘sempre se fez assim’, destacou Sérgio Bastos.









