Avaliação de riscos: um exemplo prático

Opinião

Por Nuno Gilberto Silva Ribeiro, Human Resources & Occupational Safety and Health Business Partner, Grupo Entreposto

A Avaliação de Riscos é o cerne da Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, pois sem uma avaliação de riscos eficaz não serão tomadas medidas preventivas adequadas, ou seja, se um perigo não for identificado não terá oportunidade de ser controlado.

É, pois, uma análise sistemática de todos os aspetos do trabalho, que identifica:

· aquilo que é suscetível de causar lesões ou danos;

· a possibilidade de os perigos serem eliminados e, se tal não for o caso;

· as medidas de prevenção ou proteção que existem, ou deveriam existir, para controlar os riscos.

Não esqueça:

· um perigo pode ser qualquer coisa (material ou equipamento de trabalho, métodos ou práticas de trabalho) com potencial para causar danos;

· um risco é a probabilidade, alta ou baixa, de alguém sofrer lesões ou danos devido a esse perigo.

Como avaliar os riscos?

Os princípios orientadores que devem ser tidos em consideração no processo de avaliação de riscos podem ser divididos em cinco etapas.

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco: análise dos aspetos do trabalho que podem causar danos e identificação dos trabalhadores que podem estar expostos ao perigo.

Etapa 2 — Avaliação e priorização dos riscos: apreciação dos riscos existentes (gravidade e probabilidade dos mesmos, etc.) e classificação desses riscos por ordem de importância. É essencial definir a prioridade do trabalho a realizar para eliminar ou evitar os riscos.

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: identificação das medidas adequadas de eliminação ou controlo dos riscos.

Etapa 4 — Adoção de medidas: aplicação das medidas preventivas e de proteção, através da elaboração de um plano de prioridades (provavelmente não será possível resolver imediatamente todos os problemas) e especificando a quem compete fazer o quê e quando, prazos de execução das tarefas e meios afetados à aplicação das medidas.

Etapa 5 — Acompanhamento e revisão: a avaliação deve ser revista a intervalos regulares, para assegurar que se mantenha atualizada. Deve ainda ser revista sempre que se verifiquem na organização mudanças relevantes, ou na sequência dos resultados de uma investigação sobre um acidente ou um “quase acidente”.

Métodos de Avaliação de Risco:

Existem diversos métodos de Avaliação de Risco, desenvolvidos ao longo dos anos para aplicação de acordo com as necessidades das organizações e adequados às mais diversas atividades.

Seja qual for o método escolhido, deve existir oportunidade para observar o local de trabalho e meio circundante, fazer a identificação das atividades realizadas no local de trabalho, constatar padrões, bem como ter em atenção fatores externos que possam ser relevantes.

Os métodos podem ser qualitativos, quantitativos ou semiquantitativos.

O método escolhido para esta pequena dissertação é o método de William T. Fine (semiquantitativo). Este método visa a hierarquização e controlo dos riscos associados a atividades e processos, determinando qual ou quais podem ou não ser tolerados. Por outras palavras, permite quantificar a magnitude dos riscos existentes e, em consequência, hierarquizar racionalmente a sua prioridade de correção.

Devem ser identificados os perigos e avaliados os riscos inerentes aos processos, produtos e atividades desempenhadas em cada posto de trabalho, sejam associados ao funcionamento de qualquer área ou instalação, por colaboradores da empresa, ou de serviços contratados e a ser executados nas instalações.

Depois de definidos os riscos, deverá proceder-se à sua hierarquização tendo por base a grelha de avaliação, aplicando posteriormente a formula GP = P x E x C, sendo que:

GP – Grau de perigosidade

P – Fator de probabilidade

E – Fator de exposição

C – Fator de consequência

Após a hierarquização dos riscos deverão ser definidas as medidas preventivas/corretivas que eliminem ou minimizem o risco, permitindo reduzi-lo a níveis toleráveis para a empresa. Para tal deve-se atender aos princípios gerais de prevenção.

Depois de hierarquizado o risco bem como da definição das respetivas medidas preventivas/corretivas é necessário priorizar um programa de investimentos e melhorias introduzindo a componente económica e influência da intervenção. Assim, perante resultados similares, estará melhor fundamentada uma intervenção prioritária quando o custo for menor e a solução corretiva aumente na correspondente medida o grau de segurança. A isto se designa por “índice de justificação” traduzido na formula: IJ = GP / (FC x GC)

IJ – Índice de Justificação

GP – Grau de perigosidade

FC – Fator de Custo

GC – Grau Correção

Segue aqui um exemplo prático da sua implementação (meramente orientador):