Ricardo Costa: “É importante sair da zona de conforto”

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A portuguesa BC Segurança e a espanhola DiiD anunciaram a sua fusão, dando origem à BC Diid. esta fusão dá lugar “ao maior grupo de distribuição de segurança em Portugal e Espanha”. Até 2022, a empresa prevê alcançar 50 milhões de euros de facturação. A BC Diid passa a ser gerida por Ricardo Costa (BC Segurança) e Ignacio Barandiarán (Diid). a BC DiiD representará mais de 40 marcas de equipamentos de segurança, nomeadamente sistemas de video vigilância e sistemas de detecção de incêndio, e terá mais de uma centena de colaboradores e dez delegações na Península Ibérica. Do lado português, a BC DiiD estará presente em Braga, Gaia, Lisboa e Madeira, e do lado espanhol em Madrid, Alicante, Las Palmas, Tenerife e Santander.

Security Magazine – Quais as implicações/mudanças que esta fusão representa ao nível da estrutura e organização de ambas as empresas? Como decorreu o processo de integração e fusão? O processo está totalmente finalizado?

Ricardo Costa – O processo operacional da fusão iniciou-se no passado dia 5 de Abril e prevê-se estar concluído até 1 de Junho, altura em que entrará em atividade a Entidade Fiscal que irá assumir todas as empresas da fusão. A nível estrutural existem poucas mudanças para Portugal, sendo que as principais são a contratação de um novo Diretor Geral e um novo Diretor Comercial que estão já a desempenhar as respetivas funções. De resto, iremos manter todos os pontos de venda (Lisboa, Braga, Gaia e Madeira) com os respetivos armazéns associados, embora agora, sob alçada de uma única entidade fiscal.

Quando foi iniciado o processo de aproximação entre as duas empresas e o que motivou este processo?

Tanto a BC como a DiiD tinham como objetivo alargar a sua área de atividade para o país vizinho. Por um lado, o mercado espanhol sempre fez parte da estratégia de internacionalização da BC; por outro lado, a DiiD já tentava desde 2014 introduzir os seus produtos em Portugal. A primeira reunião entre as duas empresas teve lugar em Setembro de 2015 e passados alguns meses, em maio de 2016, é constituída a DiiD Portugal e a BC Seguridad. Acreditamos desde o início que este seria o primeiro passo para a fusão entre as duas empresas, tendo estes três últimos anos confirmado essa expectativa.

Embora ambas tenham conhecimento dos mercados de Portugal e Espanha, quais os principais desafios que se colocam a um processo de fusão de duas empresas com duas culturas e processos distintos?

Por questões legais iremos manter duas entidades fiscais (uma em Portugal outra em Espanha), que terão uma estrutura de decisão operacional de acordo com as melhores práticas adaptadas quer à cultura dos seus recursos humanos, quer às características do mercado onde se inserem. Um dos grandes desafios e que poderá ser visto como uma grande vantagem competitiva, será a consolidação do extenso portfolio de produtos e equipamentos que a fusão irá originar. Uma vez que a equipa será mantida, cada colaborador continuará a trabalhar o seu portfolio, pelo que acreditamos que a transferência de conhecimentos irá ser rápida e eficiente.

A BC DIID passa a contar com uma liderança dividida entre os dois países. Quais são as grandes mais-valias desta organização para a actividade da empresa? 

No fim, resume-se sempre à Economia de Escala. Operar através de uma única entidade jurídica e fiscal traz-nos um conjunto de vantagens competitivas, não só junto dos nossos fornecedores, como também dos nossos clientes. Se, por um lado, teremos maior capacidade de negociação com fornecedores por representarmos uma quota de mercado superior e uma capacidade financeira superior, por outro, teremos uma oferta maior e mais competitiva para oferecer aos nossos parceiros de negócio.

Ao nível da prestação de serviços e posicionamento junto dos clientes e do mercado, existirá alguma alteração?

Nenhuma, a não ser uma eficiência acrescida. Iremos contar com a maior equipa de suporte técnico da Península Ibérica e através dela pretendemos manter a nossa proximidade junto dos nossos parceiros de negócio, partilhando também com eles as responsabilidades e problemas que possam advir do negócio. Foi com esta base que ambas as empresas prosperaram em tempos difíceis e acreditamos que este é o melhor modelo a seguir. O nosso lema é que “Se um parceiro nosso tem um problema, nós temos um problema.” E problemas partilhados, são meios problemas, felicidades partilhadas são felicidades a dobrar.

Fruto desta fusão, percentualmente, qual passará a ser a quota de mercado detida pela BC Diid em termos ibéricos? No caso português, qual a quota detida pela empresa?

A nível ibérico a nossa quota no mercado da distribuição de equipamentos de segurança eletrónica passará a rondar os 22%. No caso do mercado português essa quota será de 35%.

Considera que processos de fusão, como aquele que a BC e a Diid acabam de anunciar, poderão ser o caminho a seguir por outras empresas distribuidoras do mercado? Em termos ibéricos, que mudanças vislumbra para o mercado nos próximos anos?

Temos assistido, principalmente nos últimos dois anos, a vários processos de fusão ou aquisição tanto por parte de fabricantes como de integradores de sistemas de segurança. Existe uma forte possibilidade de outras empresas distribuidoras poderem seguir este caminho uma vez que o nosso mercado é muito pequeno para as aspirações dos nossos empresários e para crescer é importante sair da zona de conforto e atirar-se ao “oceano vermelho”. É difícil fazer previsões a longo prazo, até mesmo na gestão das empresas. O que antigamente era visto como um prazo aceitável para plano de ação de 5 anos, agora é visto a 1 ano ou até mesmo menos. A nossa era move-se muito rapidamente e aquilo que é novidade hoje, pode rapidamente ser suplantada já amanhã. É uma característica transversal a quase todos os negócios, essencialmente naqueles que envolvem tecnologia.

Esta entrevista integra a edição de Maio/Junho da Security Magazine. Assine a nossa newsletter e receba gratuitamente no seu email.