Director de Segurança ou Chef Executivo

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Por Marcos Alexandre, security manager, Corinthia Hotel Lisbon

Sendo que uma organização são as pessoas, a própria organização está cativa das mesmas. É responsabilidade da gestão, capitalizar os seus recursos humanos e tornar a convivência de todo o grupo numa relação simbiótica, promovendo o vínculo, fortalecendo laços e criando elos. Para tal, exige-se ao orientador ser o farol guia com dedicação, fidelidade ao cargo e, acima de tudo, conduta. Liderar através do exemplo.

Claro que tudo acima recende a frases truísticas e soa a prefácio de um manual de bem comandar. A receita é ancestral, embora cada dirigente dê o seu toque de Chef. No meu caso, foi sendo por tentativa erro nos ingredientes e temperos que cheguei a um prato capaz de ser servido à mesa.

Instituir o que está convencionado será um ponto de partida, aliado a uma efectiva formação, não só sobre o tema, mas igualmente sobre os valores comungados na marca, a quem atravessa a porta de entrada.

Ser pragmático ajuda a iluminar o caminho de quem nada ou pouco conhece no que ao Safety e Security diz respeito. Criatividade e engenho na instrução ajudarão a tornar mais apelativa a informação que se deseja passar, sendo que para tal deve criar-se diferentes dinâmicas na forma, mantendo, claro, o conteúdo. Sempre num processo contínuo.

Dividir o mapa em regiões ajudará na gestão e facilitará a supervisão. Atribuir tarefas e responsabilidades a juniores, tornando o recém-funcionário num Safety & Security Watcher, fazendo-o responsável pela monitorização e inspecção no seu departamento, gerando, desta forma, um compromisso colaborador vs organização. Estabelecer objectivos e louvar a boa performance, partilhando com todos os bons resultados, bem como os responsáveis pelos mesmos. Replicar o conceito por todos, construindo, assim, uma verdadeira inside networking.
Manter a política de segurança é o foco pois as más práticas surgem, são geradas pelo incumprimento de normas e protocolos. Existe o risco de estar a alimentar-se uma aculturação da pessoa ao conviver num ambiente hostil.

O presente desafio está em manter colaboradores numa instituição face ao permanente Turnover. O paradigma de emprego mudou. São muitas as ofertas e as gerações de hoje estão ávidas por novas experiências, por consequência limitadas no tempo, tornando a tarefa de implementar e promover uma política de assimilação cultural num processo ainda mais estimulante.

A cultura de segurança deveria começar a ser doutrinada no berço, o bê-á-bá da matéria ser dado com as primeiras falas e primeiros passos amparados pelo tema. Um verdadeiro investimento a longo prazo. Este deverá ser o papel da sociedade.

Leia no próximo número da Security Magazine a entrevista com Marcos Alexandre.